Toyota desenvolve robô

humanoide T-HR3

Lançado pela Toyota em 2017, o T-HR3 é um robô humanoide capaz de movimentos flexíveis que espelham as ações do seu operador humano remoto e de partilhar a força exercida, pelo robô, e no robô, através de feedback de força ao operador. O novo e aprimorado T-HR3, que a marca irá demonstrar na Exposição Robótica Internacional de 2019 em Tóquio, é agora capaz de executar tarefas mais difíceis, incluindo caminhar de forma mais natural.

Para explicar as novas funções de robóticas da equipa de desenvolvimento e a visão de futuro da Toyota através desta pesquisa, a marca partilha uma entrevista recente com Tomohisa Moridaira, líder da equipa de desenvolvimento do T-HR3 no Japão. Moridaira lidera um grupo de pesquisa e desenvolvimento na sede da Toyota em Tóquio e a sua equipa trabalha também no desenvolvimento dos robôs tipo mascote para Tóquio 2020, que estão a ser desenvolvidos em conjunto com o Comité Organizador dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Tóquio.

Toyota:
Quais as novidades, neste domínio dos Robôs Toyota?
Explique, o que há de novo no T-HR3?

Moridaira:
Para além de algumas pequenas atualizações ao robô T-HR3, a maior atualização foi adicionar um novo controlador "Master Hand" que permitiu à equipa de desenvolvimento melhorar a maneira como o “Master Maneuvering System” executa tarefas mais delicadas, até ao nível dos dedos. Além disso, conseguimos economizar peso nos braços e pernas para facilitar o controlo do robô.

Toyota:
Por outras palavras, tornou o movimento dos dedos do robô mais preciso e facilitou o controlo do sistema de manobras mestre?

Moridaira:
Sim, o operador coloca os óculos de realidade virtual e vê o que robô vê e senta-se na consola de controlo que apresenta uma espécie de sapatos e braços com luvas. O Robô move-se da mesma forma que o operador.

Toyota:
O que é que acontece se o operador/robô lhe der um aperto de mão?

Moridaira:
O operador sente o toque de cada dedo. É como dedos reais. O operador sente a sensação de apertar as mãos através do movimento do braço. Os modelos anteriores não podiam fornecer feedback para cada dedo assim, mas agora o robô consegue realizar tarefas mais delicadas, como pegar numa moeda.

Toyota:
E andar?

Moridaira:
O operador pode colocar o Robô a andar naturalmente desde início. Não é o mesmo que andar normalmente, mas pode controlar o robot facilmente. O operador está sentado e mexe o pé, e o robô de imediato avança e até muda de direção. Gostaríamos que o operador andasse o quanto quisesse, enquanto o robô mantem o seu equilíbrio e anda corretamente.

Toyota:
Por que é que a Toyota está a desenvolver um robô humanoide?

Moridaira:
Quando consideramos como os robôs serão usados no futuro, acreditamos que haverá muita procura por robôs que façam uso eficaz das articulações, da mesma maneira que os humanos, e que possam operar com segurança mesmo quando estiverem em contato com o mundo ao seu redor.
Nesse tipo de cenário, é vital que esses robôs possuam graus redundantes de liberdade. Escusado será dizer que enfrentamos inúmeros desafios de desenvolvimento, mas acreditávamos que estas tecnologias serão necessárias e, por isso, lançamos o desenvolvimento do robô humanoide com uma forma tipo.

Toyota:
O que significa "graus redundantes de liberdade"?

Moridaira:
É um recurso funcional que oferece flexibilidade ao robô, para que ele possa continuar a trabalhar, sem precisar de suspender as operações. Assim, por exemplo, um braço de robô com muitas articulações pode continuar a funcionar mesmo que algumas dessas articulações parem de funcionar por algum motivo.

Além de compensar algum ponto fraco, ter graus redundantes de liberdade permite uma maior diversidade na maneira como o robô se pode mover, inclusivamente permitindo que ele se mova debaixo de um objeto ou para o lado dele. É interessante ver a diferença na maneira como o robô se move, dependendo da personalidade e das habilidades do operador.

Toyota:
Porque é que o robô precisa ter a forma humanoide?

Moridaira:
Costuma dizer-se que uma forma humanoide é útil porque o robô pode usar as mesmas ferramentas e ambiente que um humano, mas mais um grande motivo é que os humanos acham que é mais fácil controlar robôs em forma humanoide.

Graças à Realidade Virtual (RV), não há dúvida de que as pessoas já experimentaram como é ter seus movimentos representados num mundo virtual. Como uma extensão disso, robôs avatar como o T-HR3, que possuem um corpo real, são capazes de ir além da RV para influenciar fisicamente o mundo real.

Obviamente, ainda temos que superar imensos problemas de desenvolvimento, mas no futuro, as pessoas poderão ampliar a sua capacidade de movimento e experimentar o mundo utilizando robôs avatar remotos - e a capacidade de oferecer novos serviços de mobilidade como este é um objetivo. Num caminho em que a Toyota se transforma numa empresa de mobilidade. Ou seja, a Toyota está a desenvolver o robô humanoide para oferecer novos serviços de mobilidade!

Na CES, em janeiro de 2018, o presidente Akio Toyoda afirmou: "É meu objetivo fazer a transição da Toyota, de uma empresa automóvel para uma empresa de mobilidade, e as possibilidades do que podemos construir, na minha opinião, são infinitas". Os robôs são um exemplo importante.

Em termos gerais, a Toyota pretende fornecer três tipos de serviços de mobilidade através dos seus robôs: o primeiro é "movimento físico", quando humanos e objetos realmente se movem pelo espaço; o segundo é "movimento virtual", quando o corpo ou parte do corpo de um operador é virtualmente movido através de um espaço remoto através de avatares ou agentes - o T-HR3 é uma exemplo disso;

o terceiro é "movimento emocional", pelo qual as duas formas anteriores de mobilidade proporcionam às pessoas novas experiências e encontros e as inspiram emocionalmente - a Toyota também vê isso como uma forma de "movimento".

Para cada uma destas três formas de mobilidade, a Toyota tem uma equipa envolvida no desenvolvimento de robôs.

Uma sociedade em que todos têm um motivo para viver

Toyota:
Quais os desafios atuais e planos futuros?

Moridaira:
Há muitos problemas que precisam de ser resolvidos antes que a Toyota possa começar a fornecer estes novos serviços de mobilidade, como obter graus redundantes de liberdade e desenvolver dispositivos operacionais leves, mas continuaremos a trabalhar para resolver esses desafios o mais rápido possível.

Esperamos que todos fiquem animados com o que o futuro reserva para novos tipos de experiências de mobilidade. Além disso, acreditamos que existem aplicações importantes para questões futuras, como o envelhecimento da população, incluindo o uso de comunicação remota via robô para reduzir o tempo de viagem dos prestadores de cuidados ou ajudando a ampliar a capacidade das pessoas que recebem atendimento para que possam fazer mais de forma independente.

Queremos usar as tecnologias que desenvolvemos para ajudar a criar uma sociedade em que todos possam maximizar o tempo que têm e viver uma vida emocionante. Podem esperar grandes coisas à medida que a Toyota continua a desenvolver robôs parceiros.

Toyota desenvolve robô humanoide T-HR3

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